Adriana Lunardi vem se consolidando como exímia prosista de nossa literatura. Seus contos e seus atual romance, A vendedora de fósforos, são belos e bem tecidos exemplos de uma narrativa elegante, correta, original em suas comparações, precisa em seus detalhamentos, poética em suas imagens.
No romance supracitado, a autora perscruta a escolha entre a manutenção ou o repúdio de códigos: familiares, linguísticos, sociais. E, à semelhança de Vésperas e Corpo estranho, seus livros anteriores, investiga a eterna inquietação diante da morte. A história se concentra na relação entre duas irmãs, iniciando quando a protagonista recebe um telefonema avisando que a irmã mais velha fora hospitalizada em razão de uma crise nervosa. No afã de entender as atitudes da irmã fragilizada, a protagonista repassa os momentos da juventude, a relação familiar, a dinâmica de zelo e perversidade que sustentara o lar de outrora então desfeito. O rememorar da personagem é mirar o espelho das ligações ambíguas de seus entes, mas também nos serve de reflexo de nossas próprias relações.
Intercalando relatos do passado e do presente, a narrativa agarra o leitor, impedindo-o de tecer suposições fáceis no percurso. Não nos resta saída senão acompanharmos o entremeio dos fios até que o sentido se nos revele.
A vendedora de fósforos é ainda uma homenagem aos amantes da literatura na medida em que aborda a alteração da realidade pelo manejo da língua, pela denúncia da palavra enquanto chave, onde o uso abusivo pode gerar violência, onde a transgressão é capaz de emancipar e o silêncio pode instaurar um abismo.
Ao trabalhar a palavra com criatividade e fazendo uma reverência, digamos, irreverente, Adriana Lunardi nos oferece uma obra de rara e deliciosa beleza.
Ao trabalhar a palavra com criatividade e fazendo uma reverência, digamos, irreverente, Adriana Lunardi nos oferece uma obra de rara e deliciosa beleza.
15 comentários:
Parece realmente muito interessante. Estou lendo "O nome da rosa" e antes li "Madame Bovary". Sinto que estou precisando de uma leitura mais descontraída! Não só por isso mas pela situação atual da vida.
Beijos e Boa semana!
FIQUEI CURIOSA PRA LER, VOU PROCURAR POR AQUI.
BOA SEMANA
BEIJOS
Não conheço nada de literatura brasileira amiga, nada! Vou dar uma pesquisada na obra dela para conhecer.
Bjosss
adoro sua linguagem. é imponentemente fofa! ;)
Coloquei na listinha dos livros a conhecer!
Acho esse conto de Andersen o mais triste do mundo, se o livro puxar pro título, socorro! Mas gostei muito da sua resenha, deu vontade de ler, principalmente por causa da relação entre as irmãs.
Bjos
Adorei a resenha
estou mesmo a procura de livros que me ocupem, e chega de acadêmicos por enquanto
bjs
Dica interessante, Line!
Beijos
adorei Li!!! me deu vontade de ler.. gosto de livros assim!!! =)
saudadesss bjosss
No feriado de carnaval eu percebi o quanto estava presa nos clássicos ultimamente e tinha esquecido da literatura contemporânea. Estou anotando suas dicas e as da Juliana do Batom da Clarice porque quero ler mais boa literatura brasileira feita nos dias de hoje.
Eu estou bem minha amiga beatlemaníaca, e você?
Feliz porque fiquei de férias hoje mas ciente de que nessas férias preciso tomar importantes decisões!!! Um dia a gente se bate no facebook e conversa ;)
Beijos
Tati
Adorei seu blog querida! Você está de Parabéns viu? Escrevo para pessoas como você!
http://flashesd.blogspot.com/2012/02/mescla-de-vermelho-com-branco.html
ESPERO QUE GOSTE!
Beijos, meus!
Amiga,
preciso ler mais. Só livro médico é FODA!!!
Bjs
Fiquei com muita vontade de ler esse livro. Não conhecia a autora, e só o trechinho que vc colocou aqui me deixou curiosa! Obrigada pela dica!
Beijos
OI ALINE, está na minha listinha, parece bem interessante..
bjs, bjs rose jp
más que capa linda! rsrsrsrs..
interessei... bem legal a história, vou procurar pra comprar... ;)
bjuuu!
Adorei a resenha e a sua escrita, Aline!
Beijos!
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