sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Onde comprar colares literários

Tenho uma pequena coleção de colares literários, que sempre chama a atenção dos entusiastas das leituras. Compartilho com vocês os links onde eles podem ser encontrados. :)


Demorou um mês e meio para chegar e não fui taxada.


Mercado Livre. A vendedora enviou super rápido e vem numa caixinha bem bonita.


Demorou um mês e meio para chegar e não fui taxada.

Loja brasileira com muita coisa fofa.


Demorou um mês e meio para chegar e não fui taxada.
 

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Essa Menina, de Tina Correia



Publicado em 2016 pela editora Alfaguara, Essa Menina é o romance de estreia da autora Tina Correia. Narrado em primeira pessoa, traz as memórias de Esperança que, vivendo há anos na França e tendo nascido no Nordeste, na quase mágica Paripiranga, diz estar começando a esquecer das coisas.

Imersa numa cultura marcada por rituais, tradições e crendices que conferiam um caráter quase sobrenatural à existência, Esperança, apelidada de Essa Menina por seus familiares, fala de seu olhar ingênuo sobre a tradição regional, sobre política, guerras, comunismo e ditadura. Fala sobre a vida das mulheres nas décadas de 1930 a 1950 e sobre a perda da inocência.

A narrativa gostosa e fluida da carismática protagonista deixaram em mim um sabor de nostalgia por seu conteúdo corresponder ao das histórias que minha avó baiana me contava quando eu era pequena — canções, simpatias e crendices que fizeram parte da minha história familiar. Em tom de conversa, Essa Menina descreve a si mesma com um distanciamento bem humorado, de quem vê graça nos assoberbamentos da menina muito imaginativa:

No dia em que vim ao mundo, num bairro pobrezinho de marré, marré, marré, a luz elétrica chegou à primeira casa da nossa rua. Até então, invejava-se o brilho das casas e dos postes iluminados pela eletricidade a algumas quadras dali. Enquanto a energia não chegava, candeeiros e fifós clareavam nossa escuridão.

Mamãe e duas vizinhas, grávidas, acordaram agitadas naquele dia. Não queriam perder um movimento dos preparativos da inauguração do palacete, mas na noite anterior, com as primeiras contrações, tiveram o pressentimento de que os filhos não tardariam a nascer, o que se confirmou. As filhas das vizinhas chegaram bem na hora da iluminação do jardim do palacete. Cerca de quatro horas depois cheguei eu, com a banda de música do Corpo de Bombeiros, que havia encerrado a festa da Casa dos Peixes tocando na minha porta. Vovô dizia que era para comemorar minha chegada e repetia sorridente a primeira impressão que teve ao me segurar:

— Eitcha, que essa menina nasceu uma coisitinha de nada, magrinha, feinha, uma titica de gente, só pele e osso, meio branca, meio preta, meio índia. Assim, meio barro meio tijolo. Os olhinhos pretinhos espreitavam a gente que nem jabuticaba no pé.

Vivia contando, orgulhoso, minhas façanhas para os amigos. “Olha só o que essa menina faz. Essa menina já fala tudo. Essa menina já sabe engatinhar. Essa menina já sabe andar.”
De tanto ouvi-lo referir-se a mim como “essa menina”, deduzi que esse era o meu nome. Sempre que eu queria alguma coisa, dizia: “Essa Menina quer dormir. Essa Menina tá dodói”.
E o apelido pegou. Em casa, na rua, na escola, só me chamavam de Essa Menina. Mamãe e papai, durante muito tempo, ficaram conhecidos como Sua Mãe e Seu Pai. É que eu cresci ouvindo os adultos falarem “chame sua mãe”, “cadê seu pai?”... Concluí então que estes eram seus nomes. E era assim que eu os chamava:

— Sua Mãe, Essa Menina quer comer.

— Seu Pai, vovô tá chamando.


O livro, no entanto, não é exatamente original, apoia-se em estereótipos em alguns momentos e perde bastante o ritmo, seguindo vagarosamente nos primeiros dois terços, com descrições detalhadas de inúmeros personagens e casos a eles relacionados; e correndo muito no final, quando Esperança amadurece e tem de se confrontar com o agravamento da situação política do país e com certos dilemas familiares.

Em entrevista ao jornal O Globo, Tina aponta suas influências: Gabo, Jorge Amado e Graciliano Ramos. Dos três autores, bastante distintos quanto ao estilo, Jorge Amado é o único de quem se pode reconhecer uma aproximação possível. Não é preciso mirar tão longe para fazer um bom livro.  E se Essa Menina tem alguns problemas, não é uma estreia de todo má.



domingo, 28 de agosto de 2016

Liturgia do Fim, de Marilia Arnaud



Vídeo-resenha do romance Liturgia do Fim, da autora paraibana Marilia Arnaud.

Lendo Ficções: Funes o Memorioso




Mais um vídeo do Projeto Lendo Ficções, dessa vez sobre o conto "Funes o Memorioso".

Sorteio | Dois anos do Canal



Confiram o sorteio em comemoração aos dois anos no canal! Tem três excelentes livros, marcadores e uma ecobag fofa!
:)

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Dias de abandono


Eu era íntegra e íntegra continuaria a ser. A quem me faz mal, devolvo na mesma 
moeda.  Sou oito de espadas, sou a vespa que  pica, sou a cobra escura. Sou o animal
 invulnerável que atravessa o fogo sem se queimar. — Pg. 73

Publicado pela primeira vez em 2002, Dias de abandono é o segundo livro de ficção da escritora italiana Elena Ferrante. Narrado em primeira pessoa, o livro conta a história de Olga, uma mulher de trinta e oito anos, mãe de dois filhos, que é abandonada pelo marido, Mário. A protagonista, que havia abdicado de uma carreira breve como escritora para se dedicar à família, vê-se de repente sozinha e responsável pelas crianças, pelo cachorro e pela casa. 

A narrativa é uma descrição primorosa e muito realista do processo de luto de Olga. Cada fase — a negação, a revolta, a desagregação — é construída com muita força e clareza, e traça o caminho que a personagem faz do trauma em direção a uma reabilitação. É como se a personagem explodisse em milhares de fragmentos e depois tivesse de se remontar, tendo de descobrir, ou de criar ela própria, um modo de o fazer.

A minha tarefa, eu pensava, é mostrar que é possível permanecer sã. Demonstrá-lo a mim mesma, a mais ninguém. Se for exposta aos lagartos, combaterei lagartos. Se for exposta às formigas, combaterei formigas. Se for exposta aos ladrões, combaterei ladrões. Se for exposta a mim mesma, combaterei a mim. — Pg. 54

Numa narrativa relativamente curta, 183 páginas, percebemos a transição gradativa da personagem pelos diferentes momentos dessa crise, através de reações, pensamentos e falas muito vívidos e angustiantes. Ferrante constrói com muita eficiência o processo de perda da protagonista. Mulher contida e hesitante, Olga vive uma espécie de desbordamento: perde o controle das emoções e dos elementos ao redor, perde as referências e a noção do real que a cerca, perde-se de si mesma enquanto é consumida por um sofrimento imensurável. Até o seu discurso é afetado pelo descontrole:

Quando eu era novinha gostava do linguajar obsceno, me dava uma sensação de liberdade masculina. Agora sabia que a obscenidade podia causar centelhas de loucura, se nascia de uma boca controlada como a minha. — Pg. 19

Nesse livro, Ferrante antecipa um dos pontos mais importantes da Série Napolitana: a construção das personagens femininas. Se na Série, Lenu e Lila eram mais que esposas e mães, em Dias de abandono, esses dois papéis são trabalhados de forma não idealizada. A relação entre mãe e filha, que muito influenciou as escolhas de Lenu na Série, já aparecem aqui na dupla condição de peso e legado, e, por mais que as personagens insistam em não repetir certos padrões maternos, eles reaparecem em momentos de crise, tornando mais árduo o seu poder de escolha e decisão, mais difícil a sua autonomia. Mas não impossível, e Ferrante explora essa questão com muita segurança.

Minha mãe falava sobre isso com suas funcionárias, cortavam, costuravam e falavam, falavam, costuravam e cortavam, enquanto eu brincava sob a mesa com os alfinetes, o gesso, e repetia a mim mesma o que eu ouvia, eram palavras entre a aflição contida e a ameaça, quando você não sabe segurar um homem, perde tudo, relatos femininos de fins de caso, o que acontece quando, plena de amor, você não é mais amada, é deixada sem nada. — Pg. 12.
Minha mãe me chamou logo para casa, estava nervosa, muitas vezes se zangava comigo sem nenhum motivo, eu não tinha feito nada de mal. Às vezes me dava a impressão de que ela não gostava de mim, como se reconhecesse no meu rosto algo de si que ela mesma detestava, um mal secreto seu. — Pg. 49

Comparado com a Série Napolitana, Dias de abandono é mais direto, menos sugestivo, permite menos inferências, o que funciona para manter a tensão num livro curto sobre uma crise. O texto, no entanto, traz algumas sutilezas, como o paralelo entre as profissões de Olga e de sua mãe — uma escritora e outra costureira, ambas artífices de tecituras. Olga recebeu da mãe retalhos de ensinamentos, tecidos numa malha que lhe pesa na idade adulta. Olga, por sua vez, escreve suas experiências numa tentativa de devolver sentido aos fragmentos de sua vida esfacelada. Há, ainda, a dificuldade de Olga em manusear chaves, como uma metáfora do seu acesso precário ao cerne de suas emoções.

Nas resenhas sobre a Série Napolitana, ressaltei a habilidade que Ferrante tem em unir o melhor de dois mundos: a narrativa ágil e novelesca e a profundidade da análise social e da construção de personagens. Em Dias de Abandono, a autora arrisca um desfecho tradicional, fraco e mais ajustado a histórias românticas açucaradas, que não se encaixa bem nessa narrativa. Esse deslize, no entanto, não chega a comprometer a coesão, o impacto e a verossimilhança desse pequeno e notável texto.


*esse livro me foi oferecido pela editora Globo Livros.

domingo, 3 de julho de 2016

Resenha: A Definição do Amor



Vídeo-resenha do romance A Definição do Amor, do escritor português Jorge Reis-Sá. É um diário de luto bastante poético e o primeiro livro que leito do autor.

terça-feira, 7 de junho de 2016

Lendo Ficções: A Biblioteca de Babel



 Demorei mas cheguei de volta ao canal com mais um vídeo do projeto Lendo Ficções. Dessa vez, comento o fascinante conto "A Biblioteca de Babel".