segunda-feira, 9 de maio de 2016

Lendo Ficções: Exame da Obra de Herbert Quain



Mais um vídeo do Projeto Lendo Ficções, onde comento o conto "Exame da Obra de Herbert Quain".

sábado, 23 de abril de 2016

Shakespeare no cinema: 5 excelentes adaptações



Gamlet, de Grigori Kozintsev (1964) Um dos filmes mais impressionantes que já vi. Uma adaptação russa, muito à altura do texto do bardo, com excelente atuação de Innokentiy Smoktunovskiy no papel principal, desenvolvimento primoroso das cenas dramáticas, fotografia perfeita. Um filme grandioso, que nos engole.




Trono Manchado de Sangue, de Akira Kurosawa (1957) - Kurosawa levou a história de Macbeth para o Japão medieval e criou um monumento, também muito adequado à grandiosidade do texto shakespeariano. Tem o incrível Toshiro Mifune no papel principal, além da bruxa e da Lady Macbeth mais horripilantes que já vi.



Ricardo III, Laurence Olivier (1955) - Ricardo III ficou eternizado em minha mente como o personagem criado por Olivier em sua excepcional adaptação. Olivier incorpora a pura maldade com muita força e realiza com todo o vigor o vilão mais cínico e ao mesmo tempo mais carismático da dramaturgia shakespeariana.



Muito barulho por nada, Joss Whedon (2012) - Adaptação contemporânea bastante original dessa comédia sobre a guerra dos sexos. Todo em preto em branco, o filme atualiza o humor shakespeariano de modo inteligente, sem perder as melhores farpas trocadas entre Beatriz e Benedito.



Cesar deve morrer (2012), Paolo e Vittorio Taviani - Aqui os irmãos Taviani misturaram documentário com adaptação, já que filmaram com detentos reais de uma prisão de segurança máxima de Roma. O filme mostra a escolha do elenco, os ensaios da peça Julio Cesar (de forma bastante estetizada) e a apresentação final para os familiares dos detentos. O filme desconcerta ao mesclar realismo e teatralidade intensa. Único e soberbo!

Shakespere - o gênio original



Vídeo-resenha de Shakespeare - o gênio original, de Pedro Sussekind, onde o autor comenta o resgate e a valorização do bardo pelos escritores e filósofos do Pré-romantismo e do Romantismo alemães, e sobre a definição do conceito de "gênio original" a partir desse resgate.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

História do Novo Sobrenome



Vídeo-resenha do segundo volume da Série Napolitana de Elena Ferrante, História do Sobrenome. O romance cobre a vida das amigas Lila e Lenu dos dezesseis aos vinte e três anos. Seus caminhos se afastaram ainda mais, mas ambas irão se transformar à custa de muito esforço e sacrifício, e de formas muito diferentes

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Para ouvir lendo Shakespeare: Orlando Gibbons


Orlando Gibbons (1583 - 1625)  foi um compositor e reconhecido organista britânico que trabalhou para a Chappel Royal de 1603 até a sua morte. Foi educado em Cambridge, onde cantou com o coro do King's College.

Em sua obra destacam-se tanto as peças sacras como as canções seculares.






domingo, 27 de março de 2016

Lendo Ficções: A Loteria na Babilônia



Mais um vídeo do projeto Lendo Ficções, dessa vez sobre o conto "A Loteria na Babilônia". Esse conto é perturbador porque o povo clama por uma loteria que assuma o poder público e controle totalmente a sua vida. Não sei o que Borges tinha em mente, mas não consegui fugir da associação com as pessoas que pedem a volta da ditadura militar.

sábado, 26 de março de 2016

Arco de Virar Réu



O emaranhado de vozes em sussurros e a movimentação fleumática se fundem numa única imagem, de pinceladas impressionistas, na qual as cores renunciam às suas forças vivazes para se igualar numa tonalidade lamentativa e difusa. — Pg. 88

O romance Arco de Virar Réu (2016) é a estreia do editor Antonio Cestaro na literatura de ficção (ele tem dois livros de crônicas publicados). O livro narra em primeira pessoa o processo de deterioração psíquica do protagonista — um historiador social com grande inclinação para os estudos antropológicos. Identificando-se brevemente como J. Bristol, o protagonista narra sua conturbada trajetória mental, desde o esfacelamento familiar — com a partida do pai, o enlouquecimento do irmão e o embotamento da mãe — até o ápice de sua condição delirante.

A relação com a doença mental tem início através do irmão mais novo que, ainda na adolescência, inicia um processo de descolamento da realidade em benefício de uma narrativa de guerra particular e constante. Esse processo culmina no diagnóstico de esquizofrenia. Durante um simpósio sobre hábitos indígenas, o protagonista tem uma espécie de epifania: reconhece que há, nas falas alucinatórias do irmão, um padrão ritual de desmembramento humano semelhante às práticas das tribos antropofágicas. Essa constatação, curiosamente, leva-o a tentar identificar alguma espécie de sentido nas narrativas do doente, e esse movimento perigoso de penetração nos meandros do tresvario prenuncia a cisão que começa a se alastrar no interior dele próprio.

A doença do protagonista tem início com pesadelos recorrentes, onde ele vivencia experiências rituais e de batalhas indígenas, algumas vezes entremeadas com as narrativas militares do irmão. Há algo de simbólico nesse delírio masculino que leva os indivíduos de volta a uma condição guerreira, onde a luta pela sobrevivência é encenada pela força dos próprios braços, numa espécie de restauração de protagonismo primitivo.

Esse caráter onírico dos delírios iniciais se desdobra no corpo da narrativa, que se apresenta nebulosa, vaga, repleta de lacunas. O relato desse narrador não é nada confiável e a extrema concisão dos capítulos e economia de dados oferecidos denuncia a iniciativa deliberada de esconder. A falta de sentido e de respostas experimentada pelo protagonista é replicada na experiência de leitura, através da qual obtemos muito pouco — o que pode constituir um incômodo, já que algumas relações e fatos da trama parecem carecer de desenvolvimento e consistência. Essas faltas, no entanto, cabem bem num discurso manipulador de um indivíduo que por um lado tenta adiar certas revelações importantes, e por outro não mais consegue diferençar o mundo real das alucinações que produz.

Desnorteado pelo agravamento acelerado de sua doença, o personagem decide escrever, registrar suas memórias e sonhos, ciente de que boa parte de seus escritos não corresponde à realidade. Essa imprecisão, no entanto, nunca é suficiente para esmorecer suas tentativas de entendimento, sua busca por alguma autonomia. A leitura atenta do relato principal, ou seja, do romance mesmo, proporciona certas revelações que jamais serão anunciadas diretamente pelo narrador protagonista, mas que permitem a compreensão de sua história.

Um dos pontos de destaque do livro é o manejo original da linguagem. Enquanto no relato principal  o protagonista se utiliza de uma série de metáforas e associações inusitadas que sugerem o gradativo afastamento de uma atividade mental regular, as falas delirantes revelam-se profundamente poéticas, como se a loucura permitisse uma relação mais livre e menos condicionada com a linguagem — relação essa que toda uma geração de poetas surrealistas se esforçou por alcançar. 

As interrogações, com seu formato de gancho, parecem, com o passar do tempo, designadas ao agrupamento nas paredes internas da minha cabeça. — Pg. 93 
Sinal de exigir resposta ao chamamento! Pensar vergalhões de esmagar conquistas ancorados no brio. — Pg. 134

A eficiência do romance, no entanto, esbarra numa certa falta de tensão. A narrativa soa excessivamente clara, além de curiosamente distanciada para um narrador delirante que experimentou repetidos surtos de paranoia. A descrição desses episódios é feita com um olhar clínico, frio, (poder-se-ia supô-lo embotado por medicamentos e procedimentos terapêuticos, o que ainda assim soaria forçado), mas meticuloso e controlado além do que se espera.

Considerada essa inconsistência, Arco de Virar Réu se mostra uma estreia interessante, ousada, que arrisca um tratamento original da linguagem e que investiga os modos por que a busca de sentido se manifesta numa mente dilacerada.


*esse livro foi uma cortesia da editora Tordesilhas.

segunda-feira, 21 de março de 2016

Lendo Ficções: As Ruínas Circulares



Terceiro vídeo do projeto Lendo Ficções, onde falo do conto "As Ruínas Circulares". Dessa vez, aproveitei para fazer uma viagem pelos outros textos (poemas, ensaios) do Borges que falam sobre os mesmos temas do conto.